sábado, 4 de julho de 2009
SANTO E SENHA
Deixem passar
Quem vai cheio de noite e de luar.
Deixem passar e não lhe digam nada.
Deixem, que vai apenas
Beber água de Sonho a qualquer fonte;
Ou colher açucenas
A um jardim que ele lá sabe, ali defronte.
Vem da terra de todos, onde mora
E onde volta depois de amanhecer.
Deixem-no pois passar, agora
Que vai cheio de noite e solidão.
Que vai ser Uma estrela no chão.
[Miguel Torga]
domingo, 21 de junho de 2009
Sentido
De repente não tenho tempo para nada...vivo cercada de livros e fotocopias, de datas para apresentar trabalhos, de defesa, de exames...à medida que os dias são sugados...e me apercebo que estamos a acabar o mês ou a começar um novo semestre
Os meus amigos sentem-se abandonados ou talvez já nem sintam, cansados de ouvir as mesmas razões que acham que são desculpas...
Faz sentido? Pois é, e ainda falta muito mais...
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
A minha querida tia

sexta-feira, 23 de maio de 2008
Aceita-me assim

que o meu silêncio
encerre todas as palavras...
e que na minha solidão
vibrem amores ausentes,
distantes... não menos presentes
nesta emoção sem razão
Aceita,
que o rosto mude de expressão
como a secura do deserto
se transforme em maré...
na certeza de que os astros estáticos
são afinal planetas em movimento
numa viagem incessante
Aceita,
que goste de ti
como a noite ama o dia...
e o sol promete a lua
num bailado sem intenção,
em que o caos afinal é ordem
da cósmica coreografia
Aceita,
que também te queira assim
sem algemas ou correntes
e nada poder agarrar,
ao cativero me negar
mesmo que seja a espiral
dum remoinho do mar
Aceita,
Aceita,
que escolha as estrelas
para confessar o que sinto
a verdade que desvendo
e a mentira que evito
que vou amar para sempre
é coisa que não te prometo
Aceita,
Get yourself a life!

A ilusão de ter, de possuir, não te dá poder… e o voyeurismo é uma cortina entre ti e a vida, um mirador sobre uma paisagem deserta, um desfiladeiro vertiginoso, uma janela para um mundo que não existe, que nunca te pode trazer o que não te pertence ou devolver quem partiu...
De nada serve repetires palavras que não nasceram para a tua boca, porque o sotaque te denuncia...e essa avidez por saberes novidades de quem não te dá noticias não te mantém informada...
A curiosidade mata …espreitar pela fechadura… não é viver…e vida…há só uma e não reside atrás da porta!!! Por isso …Get yourself a life!
http://mariopinhal.blogspot.com/
Mesmassim
mesmassim cresceu
mesmassim é maior que quando nasceu
mesmassim é um espaço e é só teu
mesmassim é o lugar e o sentir
mesmassim é onde te podemos encontrar
mesmassim é para te ouvirme
smassim és tu a despertarés tua fugir
a chegar e a partir
a sofrera chorar e a sorrir
a amar
a viver
mesmassim é mesmassim
Desbloguear
-Bora ai, vamos jantar, apanha-me, dá-me um toque que eu desço…
Tocou. Chamei o elevador e já no hall de entrada reconheço-o de costas, na contraluz… espera-me lá fora…e foi um abraço, um único abraço onde o tempo que passou é recuperado e as distâncias transpostas…um abraço assim, sem tamanho…em que o presente se reconcilia com o passado…
-O que queres comer?
Adoro comer…mas o que quero mesmo é estar com o Mário, conversar sem rumo…e apreciar a forma sensata como sabe envelhecer lentamente, quase sem deixar sinais…é um segredo, penso…é genético, sem dúvida…mas não comento …
E faço as contas à vida…ainda há pouco éramos crianças e demorava tanto a ser adolescente e agora estamos quase com 50!!! mas também não comento, fico a pensar para onde foram tantos sonhos…para onde correram os anos...
Vamos falando e escutando enquanto prosseguimos com as nossas tarefas gastronómicas….um bacalhau à casa, que neste caso é à palácio…um tinto chambré, que o empregado se encarrega de despejar nos copos…para que nunca se esvaziem completamente…e avançamos com a conversa e com o nosso bacalhau…como se fossemos donos do tempo…
E o Mário queixou-se…tinha uma reclamação:
-Não escreves no blog…abandonaste-o…
E eu senti que era como se o meu amigo me visitasse e eu nunca estivesse em casa para lhe abrir a porta, o que era imperdoável mas mesmo assim tentei explicar…
Disse-lhe que não tenho escrito…porque estou noutra fase… E estou…
Não me apetece ficar em casa a escrever…apetece-me mais ler, apanhar sol numa esplanada deserta em pleno areal, num local que só eu conheço, e que ainda não abriu as portas, porque se reserva para a enchente de Verão, onde posso passar uma tarde sem interrupções, sem as perguntas dos empregados, sem o movimento dos clientes, sem os cumprimentos ou conversas banais dos vagamente conhecidos …
Apetece-me desencaminhar um amigo para o teatro e depois vaguear pelo Bairro Alto para petiscar fora de horas…à volta do enredo da peça ou de outro episódio qualquer…
Apetece-me estar com a minha amiga de sempre a conversar pela noite dentro e poder chorar e rir..., rir e chorar....sem que a minha sanidade mental esteja a ser avaliada...
Apetece-me estar numa esplanada à beira rio, no meio de um vaivém de pessoas e onde acabo sempre por ter encontros improváveis com amigos de longa data, que seria difícil encontrar em qualquer outro sitio e de quem já só me lembro muito de vez em quando…
Apetece-me estar com o meu grupo de amigas “encalhadas” todas tão divertidas, bonitas e completamente disponíveis e rirmos com as observações tipicamente femininas….como se o mundo fosse nosso e andássemos só a disfarçar que "...não é bem assim…"
Apetece-me ir jantar fora, em grupos, às vezes somos tantos, outras vezes nem por isso, recuperar as pessoas com quem não contactei durante anos, sem razão nenhuma para além da azafama que nos vai mantendo a todos tão ocupados e perigosamente distraídos…ate que um dia acordamos e dizemos: “O quê? Já vou fazer estes anos todos?!” refazendo as contas, como uma criança que tem a certeza de se ter enganado nos cálculos…
Mas escrever não...não me apetece…
Expliquei-lhe que comigo é um pouco assim, por fases e marés… que agora a lua, que por acaso até está cheia, lindíssima, não me tem iluminado as palavras e por isso elas não têm saído lá do escuro alçapão onde se escondem tão arrumadas…não tem acontecido ter coisas para dizer, ou comentar ou inventar… as palavras não me procuram e eu não as encontro…
Mas o Mário continuou com cara de quem insiste em tocar à campainha e permanecer ali, imóvel na esperança de ouvir passos e uma pergunta vinda do interior “quem é?” .
Sinto que o desiludo…e que os nossos blogs são também pontes de amizade e sei que sempre que posso vou espreitar os seus poemas, textos e fotografias…porque é uma forma de matar as saudades e de ter o conforto da sua presença, mesmo que apenas virtual…
E porque a seguir ao domingo vem uma semana inteira de trabalho não ficamos por ali perdidos em conversa, regressei cedo ao hotel e deitei-me logo…com a sensação de ter deixado o Mário na porta intransponível da minha casa vazia…todo este tempo…
Hoje acordei sem vontade de ir trabalhar…porque na minha cabeça pequeníssimas palavras dançavam, como se reclamassem espaço no meu blog…
Há vozes que fazem eco…e nos inspiram…
-Olha Mário, quando quiseres já podes vir… voltei a casa…Vá lá….já agora deixa um comment!!!
sábado, 3 de maio de 2008
Jacques Prevert, Pour toi mon amour
Et j'ai acheté des oiseaux
Pour toi
Mon amour
Je suis allé au marché aux fleurs
Et j'ai acheté des fleurs
Pour toi
Mon amour
Je suis allé au marché à la ferraille
Et j'ai acheté des chaînes
De lourdes chaînes
Pour toi
Mon amour
Et je suis allé au marché aux esclaves
Et je t'ai cherchée
Mais je ne t'ai pas trouvée
Mon amour
Jacques Prevert, Sables mouvants
Vents et marées
Au loin déjà la mer s'est retirée
Et toi
Comme une algue doucement caressée par le vent
Dans les sables du lit tu remues en rêvant
Démons et merveilles
Vents et marées
Au loin déjà la mer s'est retirée
Mais dans tes yeux entrouverts
Deux petites vagues sont restées
Démons et merveilles
Vents et marées
Deux petites vagues pour me noyer.
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Rûdakî
Não temos de morrer um dia?
Por muito que se puxe e estenda o fio
não chegará um dia ao seu limite?
quer vivas infeliz e na miséria
ou mesmo seguro e afortunado,
tudo se equivale no dia de morrermos.
Quer a sorte nada tenha te oferecido
quer, deste mundo, mil terras te haja dado,
tanto faz no dia em que morrermos.
Fortuna e infortúnio: apenas sonho!
e o sonho só vale como sonho,
não há diferença no dia de morrermos.
Omar Kayyâm
Sê, por isso, hoje feliz até mais não!
Pega no copo, bebe e senta-te ao luar.,
amanhã, talvez a lua te procure em vão.
Sa'adi
essa é a base da própria criação:
Um sofre todos sofrem dano.
se és indiferente como é que és humano?
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
splendor in the grass,
domingo, 13 de janeiro de 2008
Sand and stone

The on who got slapped was hurt, but without saying anything, wrot in the sand:" Today my best friend slapped me in the face."
They kept on walking until they found an oasis where they decied to take a bath. The one had been slapped got stuck in the mire! And started drowning, but the friend saved him.
After he recovered from the near drowning, he wrote on a stone: "Today my best friend saved my life. The friend who had slapped and saved his best fried asked him "After I hurt you, you wrote inthe sand and now, you write on a stone, why?"
The friend replied "When someone hurts us we should write it down in sand, where winds of forgivenes can erase it away. But, when someone does something good for us, we must engrave it in stone where no wind can ever erase it."
Learn how to carve you hurts in the dand and your benefits in stone. They say it takes a minute to find a special person, an hour to appreciate them, a day to love them, bu then, an entire life to forget them.
Take the time to live! Do not value the things you have in your life, but value who you have in your life!"
sábado, 12 de janeiro de 2008
That's it
an hour to like someone, and a day to love someone,
but it takes a lifetime to forget someone".
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Prenda de Natal
Recebi um email em que o assunto era "Prenda de Natal"...claro que vindo de quem vinha...seria sempre uma prenda, o "Natal" tinha apenas a ver com a época festiva...
Fiquei curiosa mas no corpo da mensagem havia uma exigência que me obrigava a refrear o impulso de abrir o attachment...
É que tinha que fazer o download e antes de visionar era-me solicitado que fizesse uma chamada via Skipe para o Mário http://mariopinhal.blogspot.com/ porque ele exigia "presenciar" ao "abrir da prenda"...
Pareceu-me justo e estas condições de quem oferece têm que ser respeitadas por quem recebe os mimos ...
E assim fiz...a prenda era um vídeo fantástico da minha infância em Moçambique, um vídeo também desta amizade de sempre que já descrevi em É mesmassim - o meu blogue e eu
Evidentemente que o Mário presenciou o espanto e a comoção partilhada lá em casa, porque todos quiseram ver o video dos meus primeiros anos de vida, em terra africana, no meio de cachos de banana, obstinada em ir para o lago...
Obrigada príncipe!
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
A capuccino, please
Chega a minha vez...A capuccino, please... and a browny,e aponto não vá ele servir-me outra coisa.
terça-feira, 25 de dezembro de 2007
X-Mas
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
domingo, 23 de dezembro de 2007
O Natal não é todos os dias

sábado, 22 de dezembro de 2007
Fronteiras

Teclavam de forma compulsiva, tecendo uma enorme rede de cumplicidades e segredos nos seus longos encontros on-line, não obstante os fusos horários, permaneciam horas a fio, esquecendo o tempo real, o sono, o lazer e às vezes o trabalho... e demoravam eternidades para se despedirem como se faltasse sempre mais uma palavra, um pensamento, um último adeus... que esperavam que fosse afinal um até breve...
Criaram diminutivos e enereços de MSN exclusivos para eles...trocaram fotos para encurtar as distâncias, viajaram pelas respectivas vidas, como não o fariam se tivessem sido apresentados por um amigo comum...
E um dia souberam que iriam coincidir por umas horas em Paris, ambos em viagem profissional...mesmo que os voos, ela a chegar e ele de regresso, não permitissem mais que um breve encontro no aéroporto, a ambos pareceu a ocasião fantástica e a cidade a mais indicada...
E quando o momento chegou tudo aconteceu da mesma forma natural, ambos se reconheceram entre a multidão, abraçaram longamente, como fariam velhos amigos, de imediato começaram a falar com a mesma familiaridade com que costumavam teclar…e as horas de que dispunham passaram, parecendo breves instantes, entre a chegada e a partida …
Desde então, quando se encontram on-line, sentem uma certa estranheza…uma vez transposta a perigosa fronteira do mundo virtual…o peso das respectivas vidas materilizou-se e passou a ser mais dificil sonhar...
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Paisagem transmontana

O céu está limpo, num azul que se estende sem imperfeições, o sol branco impera, intenso, espalhando uma luz fria...
O dia despertou coberto com um manto de geada… a berma, os campos, a terra, as arvores estão envolvidos numa finíssima camada de gelo… Ao longe um olival parece um rebanho de ovelhas por tosquiar, imóveis, certinhas, alinhadas, disciplinadas… e sorrio, é como se a natureza tivesse o seu lado infantil de criança, e acordado com vontade de refazer a pintura do dia anterior, passando um lápis de cera branco sobre toda a superfície da folha…farto dos próprios traços altera a paisagem, joga com a percepção, experimenta novas sensações, recria e diverte-se …
Ligo a chauffagem, aumento o som do rádio e as noticias confirmam uma onda de frio…”Portugal treme”, estamos em Dezembro! A temperatura é negativa…talvez seja um privilégio ainda termos Inverno, Inverno com frio, geada e até nevões…Imagino toda esta paisagem submersa em neve…sempre com um sol vigilante, generoso em luz sobre um sonho branco, limpo, sem mácula…
Conduzo por cima de um massa espessa de nevoeiro, que parece querer desprender-se do solo…e que me cria a estanha ilusão de estar a sobrevoar as nuvens…tenho vontade de acelerar…
Observo tudo com encanto. Os montes ao longe ameaçam ser o limite do mundo… de repente a paisagem começa a acinzentar-se e com surpresa, após uma curva sou engolida por uma nuvem de nevoeiro, espessa, como um véu que retém a luz, a estrada funde-se com o branco que invade tudo, ligo faróis de nevoeiro, desacelero a velocidade… distingo apenas os faróis na direcção contrária…
A paisagem perde os contornos, os montes tornam-se irreais e eu continuo a conduzir, tentando adivinhar o caminho que ainda ontem estava ali…
Viagem a trás-os-montes I
Não vou alongar-me com a generosidade destas gentes, que se ofendem se as visitas não aceitam as honras e recusam o petisco que é colocado prontamente na mesa, sobre as toalhas de linho grosseiro…Nem me quero perder em detalhes com a gastronomia única, as sopas de sarrabulho e toda a espécie de enchidos…
Mesmo quando venho em trabalho consigo sempre organizar encontros com amigos tão antigos, primos e parentes mais afastados, jantares e caminhadas a pé, saídas e longas conversas…tudo bem gerido para não melindrar ninguém e poder corrê-los a todos…um petisco aqui, um copo ali…sem exagerar muito porque ainda tenho que passar acolá…
O meu horário permite-me uma imensa liberdade…passear durante o dia e trabalhar em pós laboral…não é sempre assim, mas é um privilégio que me vou concedendo nas épocas em que ando mais condescendente comigo mesma e me repito para aliviar a culpa “Eu mereço” e é claro que mereço muito!
Mas esta viagem tem outras implicações, outros objectivos…é umas reunião de pessoas que eram uma família e passaram a ser herdeiros. Estamos todos aqui para dividir o que ainda não foi vandalisado de uma casa que teve dias felizes mas que agora tem os dias contados…vimos aqui vasculhar os cantos para resgatar memórias alegres, como se os objectos nos trouxessem de volta as horas, os dias e os anos que se consumiram tão silenciosamente…na esperança de encontrar atrás de uma porta os risos perdidos e as gargalhadas soltas…
Levaremos objectos para casa, sem saber porque não temos coragem para os abandonar ali…onde sempre pertenceram…onde talvez devessem para sempre permanecer…para aliviar a culpa em assistirmos calados à demolição da casa que foi o símbolo de uma família…
Viagem a trás-os-montes II
Na minha infância, o estado das nossas estradas, estreitas, sinuosas, esburacadas, sem bermas, fazia do pais, um pais enorme…maior ainda se tivéssemos o azar de seguir atrás de um camião que não facilitasse uma ultrapassagem…gigantesco ao olhar de crianças que contavam os minutos, ansiosas por chegar a um destino…
-Ainda falta muito para chegar?- repetíamos incessantemente…
Lembro-me das horas intermináveis, curva contra –curva, numa viagem medonha, via o serpenteado da serra do Marão, onde muitos perigos espreitavam na nossa imaginação fértil de criança…malfeitores escondidos, o gelo, as escarpas, as ultrapassagens, uma avaria, o cair da noite, reflectindo o receio dos adultos e recriando o suspense de uma cena de um filme passado na TV, a preto e branco, na altura…
Era assim, numa constante impaciência, até que o embalar das curvas e o cansaço da viagem, nos fizesse adormecer…para só acordarmos estremunhados com a excitação da chegada, a vista da casa toda iluminada, o alarido dos beijos e o aperto dos abraços dos avós, e despertar com os olhos esbugalhados com as prendas embrulhadas e toda as surpresas preparadas com minúcia, por quem muito anseia a chegada dos netos e lhes sabe adivinhar os desejos mais secretos…
E depois entravamos num mundo de sensações em que tudo é perfeito… o cheiro da comida preferida, as guloseimas e os mimos todos, o som do crepitar da lenha na lareira, o mistério das brasas incandescentes e o fascínio das chamas…
Permanecíamos a pé até cairmos exaustos de sono entre os lençóis frescos de linho, sob o calor pesado dos cobertores de papa enquanto a avó nos ajudava a proferir a oração da noite
“Menino Jesus,
dá-me a tua mão,
que sou pequenina
e caio ao chão”
Recebíamos um beijo na testa …“Dorme bem, amor”…e a luz apagava-se…
Por isso quando aqui venho reencontro sempre a minha infância e o mundo mágico que só os avós e os netos conhecem…
Estórias reais de plebeus I
A Maria era “criada de servir”, como na altura se designava, em casa dos meus avós maternos numa vila transmontana, que agora é cidade…
Servir de criada, era um destino frequente para as raparigas de famílias pobres, incapazes de prover o sustento dos filhos, quanto mais, mandá-los para a escola…e ainda por cima sendo uma rapariga !!!
Não sei se a Maria chegou a frequentar a escola, provavelmente não, nunca lhe perguntei por um certo pudor e por receio de reabrir o que pode ser uma ferida antiga… sei que é analfabeta…mas sabe fazer contas e até tem orgulho no calculo mental, ninguém a engana nos trocos… nem as moças com estudos que estão nas caixas registadoras do supermercado onde se abastece…
A mãe também servira em casa dos meus avós e foi lá que se dirigiu para confiar a filha porque era grande a prole e difíceis os tempos…
Chegou franzina, com um estômago pequenino, ainda meia criança, descalça e com a roupa remendada…lembra-se de lhe terem arranjado logo uma farda e avental, limpos, passados, mas o verdadeiro luxo foram os primeiros sapatos, que nunca há-de esquecer…no início não se acomodavam os pés, aleijavam-lhe os dedos…depois lá se foram habituando…
Ficou inicialmente sem ordenado, para aprender, o pouco trabalho e vontade em troca do seu sustento e depois, logo se veria, conforme a rapariga se “ajeitasse” assim ajustariam. E lá ficou em regime de internato, mesa, cama e roupa lavada, a partilhar o quarto da torre com as outras criadas… aos cuidados da minha avó materna.
A verdade é que a Maria se ajeitou, e por lá se acabou de criar, fez-se uma boa criada e em pouco tempo teve direito a ordenado “pôs” corpo e tornou-se também mulher…
Estórias reais de plebeus II
Eu teria então uns 3 ou 4 anos e acho que ela ainda me vê com os mesmos olhos quando me trata “por menina” …alheia ao facto de eu já não usar transas…
Imagino a aventura para uma jovem que nunca tinha saído da terra…viajar da vila transmontana para a “cidade dos doutores” , os medos da viagem interminável e os receios do desconhecido que a esperava na cidade…
E a Maria ficou um tempo a servir-nos…e afeiçoou-se a nós e regressou à terra para casar e fomos tendo noticias à medida que os filhos foram nascendo e crescendo…e sempre que lá íamos de férias, lá vinha ela, a pé da aldeia para mostrar com orgulho a sua descendência e matar saudades dos outros meninos que servira tão longe e que deixara ainda tão pequeninos…
Aparentemente tudo corria bem, a minha mãe manteve sempre um carinho muito especial e alegrava-se com as notícias que lhe davam conta que a Maria estava a construir casa, que os filhos estavam na escola, que o marido era um electricista com trabalho e que a família prosperava….
Estórias reais de plebeus III
Baptizá-la nesta idade pode parecer excesso de discrição porque a estória dela não é segredo para ninguém que a conhece…nos meios pequenos não existem segredos…estes são uma conquista das sociedades anónimas, em que nos tornámos…nas aldeias, mesmo que não se queira, é tudo partilhado, aberta ou veladamente, mas sempre comungado..
A Maria sempre se comportou como se de um segredo só seu se tratasse, nunca tendo comentado o assunto, feito uma queixa, deixado cair uma inconfidência muito menos que se abeirassem dela com perguntas ou insinuações e manteve-se alheia aos rumores…mas isso não impediu que se soubesse e que toda a gente comentasse, um novelo de pormenores à volta do seu drama…
De repente constou que o marido abusava sexualmente da filha mais velha, que a Maria descobriu o incesto e que no meio da sua dor inconsolável tentou repetidas vezes suicidar-se…por isso esteve internada por diversas ocasiões, recusava-se a viver, não tinha vontade para nada…
No meio de seu desatino não pode impedir o marido de fazer dividas que os levariam a perder a casa e todos os bens que tinham amealhado…e por isso, para além da família destroçada, sucedeu-se a ruína completa e o ver-se de um dia para outro com os filhos ainda por criar e sem um tecto…
O marido abandona-a, vai para França…ela nunca mais o voltará a ver, leva a filha mais velha com ele, por isso acaba por perder os dois…
A sua boca fechou-se, nunca mais falaria do marido…nunca comentaria o sucedido, carregou-se de negro…
Estórias reais de plebeus IV
O marido foi condenado pela aldeia inteira, nas conversas de boca a boca, à saída da missa…nos intervalos da lavoura, onde fosse...
”Nunca se viu uma coisa assim!”
“Onde é que este mundo irá parar?”
“O que ele precisava era de umas boas chibatadas”
Não havia memória de um tamanho escândalo, muito menos num local onde normalmente não se passa nada, nem se espera que venha a acontecer… de repente havia motivo de conversa e indignação.
A Maria ficou com os filhos mais novos…a solidariedade e a esmola de alguns permitiram que a família desfeita fosse abrigada num barraco sem condições, a ajuda dos vizinhos chegou na assistência às crianças providenciando alimentação durante os períodos de incapacidade, convalescença e internamento da mãe…
Aos poucos a Maria foi recuperando, era seguida nas consultas de psiquiatria, tomava os medicamentos prescritos pela doutora e foi gradualmente arranjado horas como mulher a dias em casa de umas senhoras…
Passou a dedicar todo o seu tempo e energia ao trabalho e aos filhos mais novos…melhorou as condições do seu casebre e continuou a mandá-los para a escola para aprender …tudo na maior pobreza…
O marido não voltaria à aldeia, ficou-se por terras francesas, onde lhe eram conhecidas mulheres e uma vida de gastos e excessos…chegavam os ecos aos seus ouvidos mas a Maria não comentava as noticias…
Estórias reais de plebeus V
E depois vieram os netos, que à força de os ter tão pouco tempo, beija as fotografias que chegam em envelopes carimbados com nomes dos arredores de Lisboa…
No Verão passado, a Maria teve conhecimento que o marido tinha morrido, a mulher com quem vivia tinha-o abandonado durante a doença prolongada e ninguém reclamava o corpo e por isso ela responsabilizou-se pelas despesas, tendo gasto todas as economias para mandar vir o corpo de França para lhe fazer o funeral…
Fez-se o enterro no cemitério da aldeia com missa, não havia ninguém a chorar, excepto a Maria, que se contorcia em dores, convulsionava em soluços, e se desfazia em imensos gritos de dor quando "o corpo baixou à terra"…foi a comoção geral…a aldeia ainda estava cheia de rancor, não tinha esquecido as ofensas… foi a estupefacção dos presentes...que ainda hoje comentam o espanto...
Depois do enterro voltou para casa em silêncio…e no dia seguinte retirou o luto em que estava encerrada há mais de duas décadas...
Quando a vi, dei-lhe o pêsames e ela abraçou-me, agarrou-se muito e conseguiu dizer entre soluços “Sabe menina, era o meu homem, e mal por mal, prefiro tê-lo agora perto de mim…”
As flores da campa do seu homem nunca secam, visita-o regularmente, enfeita-lhe a laje de mármore e conta-lhe as novidades dos filhos, das senhoras, as notícias que dão na TV…
Estórias reais de plebeus VI
A morte e o perdão espontâneo abrem também perspectivas para o reencontro com a filha exilada em França…anos a fio de separação e dor…
Ainda não me encontrei com ela desde que aqui estou, mas está presente nos pormenores de como preparou a casa para a minha chegada...
O meu quarto estava quente e a cama feita com todo o cuidado… Quando me enfiei debaixo dos vários edredons senti o calor do mimo que só se desfruta verdadeiramente na infância e comecei a escrever à espera do meu encontro com o sono, que teima em demorar..
Marias
Quase todas davam pelo nome de Maria, não sei como se distinguiam entre si...
Conheci várias criadas em casa os mês avós…Para mim foi sempre um enigma como é que as pessoas podiam esgotar a vida a trabalhar para uma família e ainda sentirem reconhecimento, dedicação e verdadeiro amor…
Sentiam-se agradecidas pelo facto de os meus avós lhes terem “matado a fome”, porque nunca poderiam esquecer aquilo que, quem nunca passou por lá, também não pode lembrar, é que a fome mata…
Recordo essas passagens e compreendo como aquela casa funcionava como um centro de acolhimento, onde as raparigas vinham, pela mão das mães, e eram entregues à vigilância e cuidados da minha avó para que ela as acabasse de criar.
Mas era também um centro de formação, onde as raparigas aprendiam a cozinhar, limpar, cozer, lavar, passar a ferro, jardinar, etc. e assim poderem ter um futuro… fazerem-se umas donas de casa...
Outras vezes, servia como um centro matrimonial porque normalmente, o novo regime alimentar permitia-lhes ganhar formas de mulher, serem notadas pelos rapazes da vila e quem sabe, casarem-se na primeira oportunidade…Os meu avós apadrinhavam o enlace e faziam o casamento…
Se não tivessem essa sorte, por ali ficariam, a menos que a minha avó as cedesse, por especial favor, para alguma casa de confiança das suas amizades…uma espécie de centro de emprego…
Origens

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Queria que isso fosse assim para sempre…
Poisamos o olhar sobre as coisas e preferimos sentir que elas permanecerão estáticas, tal qual as percepcionamos, assim para sempre…
E quando encontramos regularmente as pessoas em determinados sítios habituamo-nos a imaginá-las “localmente” bastando regressar a um lugar para as encontrarmos, como se estivessem lá para sempre…
Soube que morreu o Fernando do Café Avenida…
É estranho estar a escrever sobre isso porque não era íntima amiga dele nem sou frequentadora do café (nem deste, nem de qualquer outro)…É um café na avenida onde resido e o Fernando trabalhava lá há certamente várias décadas…recordo-me dele há tanto tempo, sempre a atender, com um humor e trato especiais…e cruzávamo-nos regularmente…e queria que isso fosse assim para sempre…
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
Vinte anos ou menos
Sentia-se cansado, e tinha planeado enviar uns emails antes de jantar, mas receava que a cozinha do restaurante ao lado fechasse e depois teria que suportar, uma vez mais, o sorriso da dona a dizer "por especial favor, para o sôtore, posso arranjar umas bifanas".
Estava farto das bifanas por favor, do sorriso por favor...não iria enviar os emails, fá-lo-ia depois.
Entrou em casa, apenas para se livrar da gravata e do casaco do fato...afinal, merecia, ao fim de mais de 14 horas de trabalho...Era este o ritmo dos últimos anos...ao menos livrar-se da gravata...e trocar o casaco pelo conforto de uma camisola de lã...
Sim, doi-lhe levemente...mas não pensava nisso, ao fim de tantas relações amorosas, logo esta que começara como uma paixão arrebatadora, uma urgência de sentimentos e sentidos, uma atracção a que nenhum conseguiu resistir e dois casamentos dissolvidos por tão pouco...com filhos no meio da confusão...Juraram a si mesmos que era desta, amor para sempre, mas já se sabe que o sempre é apenas enquanto dura...
Domingo de manhã
"Tu encanto se herá irresistible"
Há muito que não lia um horoscopo e não resisti, reza assim:
Virgo
En el plano laboral, tendrás la mente despejada para hacer frente a una serie de problemas que deberás solucionar. Si consigues poner una nota de optimismo e alegria, tudo será mucho más llevadero.
En el sentimental, viverás momentos intensos e idilicos. Concédete esos placeres que te apasionan y disfrutas como nadie: cenas suculentas, paseos al entardecer, salidas nocturnas...
E remata a bold "Tu encanto se herá irresistible"
Eh lá!!!
domingo, 2 de dezembro de 2007
Vôo TP 728

São 18h30, continuo paciente, como eu muitos outros passageiros...É assim, que espero agora... Estou absorvida entre o blog e as fotos...e ouço a mesma voz estridente de sempre:
Attention please...This is the last call...
Oops, tenho que ir...é desta!
sábado, 1 de dezembro de 2007
Tempo para mim
Percorri a ilha, subi no teleférico, passeei pela Marina, observei os barcos de cruzeiro a partir, deambulei pelo centro da cidade, para constatar que é quase Natal e já brilham os enfeites natalícios, espreitei o mercado que estava fechado ao feriado e disparei a máquina fotográfica em todas as direcções...
Em termo de gastronomia tem sido inesquecível...pude apreciar o vinho branco local, provar a poncha (1/3 de mel, 1/3 de sumo de limão e 1/3 e aguardente de cana a temperatura ambiente), os fritos de milho, o pão de alho, o bolo de caco, as queijadas de requeijão, o filete de espada com banana, a espetada de carne em pau de loureiro, a mista de peixe, mariscos... e ainda mascar cana de açucar, beber batido de anona, abacaxi, maracujá...
Tentei ver o máximo, fazer o máximo no pouco tempo que me restava...e aqui estão as fotos para recordar sempre...
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Palavras procuram-se
terça-feira, 27 de novembro de 2007
Não vá o diabo tecê-las

"Esperemos simplesmente que as crianças que nascem hoje ainda tenham, daqui a vinte anos, um pouco de erva verde para os seus pés descalços, um pouco de ar puro para os seus pulmões, um pouco de água azul para embarcar, e uma cauda de baleia no horizonte para preencher os seus sonhos." Jean-Jacques CousteauValha-me isso
Estou em trabalho e a responsabilidade às vezes provoca-me cólicas...um horror! Normalmente não é assim...mas desta vez é...
É injusto, mas tem que ser.... As vezes o meu trabalho castiga-me...espreito o mar e queria sair pela janela a voar... mas depois penso que amanhã tenho que entrar, pelos meus próprios pés, na sala de formação...penso melhor e recuo, volto para o meu regime de clausúra...pelo menos inspirei a noite, ouvi o silêncio...Valha-me isso!!!
domingo, 25 de novembro de 2007
És o máximo...
Um dia, predisseram-lhe o futuro, mas ele, sempre céptico, nunca quis acreditar em ciências divinatóroias...
Já não destinguia bem, claro está! Seria da música que estava demasiado alta? Ou do fumo espesso?
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
terça-feira, 20 de novembro de 2007
As nossas mãos
domingo, 18 de novembro de 2007
Diálogo
-Vai haver sempre um sabor a vazio nos teus beijos e um rasgo de paisagem desértica no teu olhar
Ela desviou a face, sorriu vagamente e respondeu numa voz sumida...
-Querido, nada é definitivo...
No limiar do real

-Estás a deixar arrefecer o café-disse ele, apenas para cortar o silêncio que se instalara...
-Devias saber que gosto dele frio- respondeu-lhe ela, sem que os olhares se cruzassem, num tom de indiferença, enquanto compôs uma mecha de cabelo desalinhada sobre a testa...
Claro que ele sabia, mas a luz fria e branca de inverno cedia ao entardecer...e o sol era engolido naquela imensidão de água...Ela recordaria aquele momento sim, mas para já ainda não desconfiava de nada e iria demorar a perceber..."também o tempo precisa de tempo"-diria mais tarde.
Não há urgência, nem brisa, nem sinais de maré...os ponteiros do relógio param e tudo fica irremediavelmente imóvel...não interessa que exista ainda consciência do que se passa e dos acontecimentos que se irião precipitar..
Saudades do futuro

Também ela tinha uma série de sonhos em suspenso...e lembrava-se bem, o momento preciso em que tudo de repente mudou...e o tempo interior passou a arrastar-se no ritmo inverso da vida...como os relatos das estórias de encantar...
E o futuro? Mas que futuro? Conhecia apenas os dias que se sucediam como as contas de um rosário, como missangas de um colar...uma certas, outras irregulares mas todas seguidinhas...e de repente sentiu saudades do tempo em que conhecia o futuro...
sábado, 17 de novembro de 2007
Fica para outra vez...
Hoje estava sonolenta, levantei-me com o propósito de escrever...escrever o quê? Pois é, o que quer que fosse ainda estava muito indefinido, vago, provavelmente ainda a germinar, a aguardar o momento... e apeteceu-me ter um destes dispensadores, em que, a troco de uma simples moeda, eu pudesse fazer sair uma fiadinha de palavras, pimba ou não, para introduzir aqui no blogue...
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Fernando Pessoa, Eros e Psique...

Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida.
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.
E, ainda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
Fernando Pessoa
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Alice e o gato
- Isso depende muito de para onde queres ir – respondeu o gato.
- Preocupa-me pouco aonde ir – disse Alice.
Lewis Carroll
Concordo com tudo e tenho que treinar, no contexto do meu trabalho, a operacionalização dos objectivos e toda uma estrutura de argumentos, regras, exercícios e blá blá blá blá…...vou dispensar-me de contar tudo aqui...
terça-feira, 13 de novembro de 2007
Love me or love me not
A minha relação com Africa é inexplicável...mas bem no fundo, no fundo sabemos que, se procurarmos as causas das coisas, tudo é explicável e explicado, tudo está carregado de sentido e significado, porque "o coração tem razões que a razão desconhece" e estas normalmente são sempre fortes, muito fortes....Mas posso afirmar que é uma relação muito antiga, quase tão antiga como eu, de facto até mais antiga do que eu...e remonta a duas gerações anteriores...Não posso esquecer as estórias de família, repetidas vezes sem conta, pela voz da minha querida avó mas também pelos pais e tios...Tudo documentado em álbuns de fotografias e objectos que constituem para mim autênticas preciosidades...relíquias que estimo e prezo, percebe-se bem porquê…
Africa, viver em Africa, fez sempre parte do meu imaginário de criança, de adolescente e de adulta...nasci e cresci com o coração virado para sul...e é para sul que me oriento sempre...não há volta a dar...gosto daquelas latitudes...do calor e dos cheiros, dos sabores e do ar, das cores e dos sorrisos, da crianças e das paisagens infinitas, de horizontes para lá do que adivinhável...
E se é frequente perder o Norte, certamente que sim, não será fácil perder o sul, com certeza que não...e sabemos bem que as relações idealizadas estão carregadas de romantismo e fantasia e facilmente resistem ao desgaste, ao tempo...
O meu olhar também é peculiar, a prová-lo está a minha câmara que captava sempre outras imagens, percepções, perspectivas e realidades...que em nada coincidem com o olhar dos outros expatriados meus colegas, que estavam e se mantêm por aquelas paragens apenas para ganhar "o seu" ...e os africanos sentem isso, sabem quando o respeito vem de dentro ou é apenas a atitude "politicamente correcta", porque estas coisas sentem-se...vá se lá saber como e porquê...mas eles sabem-no...
Africa é pois uma questão de "love me or love me not", desculpem-me os puritanos da língua, mas estou a escrever under english influence...mas também posso traduzir em línguas daquelas paragens, é que aprendi a dizer “Muxima wami wa Angola”, e é verdade, mais “Muxima wami wa Africa”...pois é....
Titi, tenho que ir à net para fazer o minha homework
Claro que antigamente não era nada disto! recordo a ardósia, a obrigatoriedade da caneta a tinta permanente, que deixava borrões nos cadernos e manchas entre os dedos...
Para quem não tenha vivido nesses tempos, sempre direi que cantávamos o hino nacional e rezávamos a ave-maria e o pai-nosso como quem recita a lengalenga da tabuada 2x1dois, 2x2quatro, 2x3seis e por ai fora...até parar nos 9x1nove, 9x2dezoito, 9x3vintesete...e 9x10noventa!!! Tudo o que desejávamos era que chegasse o NOVENTA!
A única diferença entre essas actividades colectivas e em coro, é que cantavamos a tabuada sentados, enquanto as rezas e o hino impunham que permanecessemos imóveis, de pé...e conforme o caso, fizessemos um ar compenetrados de pequenos beatos ou de minituras de heroís nacionais.
Naquela altura, se estivessemos nas nossas carteiras de madeira a fazer os trabalhos, tinhamos que nos levantar, sempre que um adulto entrasse na sala e, mantermo-nos de pé, em sinal de respeito, até nos ser dada permissão para sentar de novo.. Escusado será dizer, que um adulto era sempre respeitável...
Ainda havia as idas ao quadro, aí, era mesmo desejável que acertassemos, que encotrassemos as palavrinhas certas ou o números correctos, dali de cima do estrado, sentiamo-nos ainda mais minusculos e vuneráveis, expostos a todos, objecto de tantos pares de olhos atentos e mesmo ao ladinho da régua...sim, havia régua e não tinha um mero efeito intimidativo, era mesmo para usar, e era usada...e um dos piores momentos foi certamente testemunhar as réguadas aplicadas aos nossos colegas e amigos e não poder dizer ou fazer nada...fazia-nos a todos cumplices da humilhação...
Ficávamos sem intervalo...mas o pior era que o castigo com frequência se prolongava para casa, bastando um pequeno recado no caderno, e lá tinhamos nós num "hoje não brincas", "não vês desenhos animados", "não isto e aquilo" após um dia que não tinha corrido especialmnte bem ...
Os adultos estavam todos feitos uns com os outros e legitiavam-se uns aos outros, até davam uma "conotação afectiva" aos seus actos de violência..."se bate é porque se importa contigo..." e porque o complô entre os professores, os pais e a sociedade...tinha a nobre missão de transformar meninos maus em meninos bons...e sim, eles tinham a formula...e não era uma tarefa simples!!!
E era bom que o processo de conversão do meninos maus em meninos bons tivesse êxito, porque a haver qualquer falha e, apesar do esforço dos "grandes", se nós na altura tão crianças teimassemos em ser maus, mais tarde iriamos presos para trás daqueles muros assustadores e cinzentos com raras visitas da família e quando moressemos o destino implacável seria bem pior, pois niguém nos poderia livrar de arder para sempre no fogo do inferno sem fim, de labaredas ávidas....num castigo interminável...e sem direito a visitas...ponto final.
Por isso, sorri quando a "minha" Ana me põs fora do computador e disse num português quase irrepreensivel "Titi, tenho que ir à net para fazer o minha homework"...
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Florbela Espanca, Inconstância
Pedi à Vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!
Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!
Passei a vida a amar e a esquecer...
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando...
E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também... nem eu sei quando...
Florbela Espanca, Se tu viesses ver-me...
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...
Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...
Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...
Florbela Espanca, Ser Poeta
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
domingo, 11 de novembro de 2007
sábado, 10 de novembro de 2007
Manha no parque
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
A menina da flor de agua doce
É uma estória impressionante a desta "menina afegã" cuja identidade se manteve desconhecida apesar de ser uma das fotogafias mais famosas do mundo... Em 1985, o seu rosto e o seu olhar verde percorreram o mundo, na capa da revista National Geographic, tornando-se um símbolo de sofrimento, dignidade e resiliência do seu povo... Mas da "menina afegã" nada se sabia...
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Eu fui a 227446ª assinatura, e tu?
Um artista da Costa Rica, Guillermo Habacuc Vargas, expôs um cão vadio faminto numa galeria de arte. O cão estava preso por uma corda curta. Ninguém alimentou ou deu água ao pobre cão que morreu durante a exposição. Guillermo Habacuc Vargas foi o artista escolhido para representar o seu país na "Bienal Centroamericana Honduras 2008". Existe uma petição onde é pedido que ele não receba este prémio.
http://www.petitiononline.com/13031953/petition.html
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Para que lado gira a mulher?

Clique em cima da imagem e diga para que lado gira a mulher? No sentido do relógio ou em sentido contrário ao do relógio???
Nem bom vento, nem bom casamento?
Conheço alguns bons exemplos de militância masculina a favor da igualdade de género...felizmente! mas muito me entristecem os vulgares exemplos pró machistas de mulheres...
Poco a poco, va surgiendo una voz diferente. Los hombres por la igualdad estamos consiguiendo que nuestro mensaje llegue a más sectores de nuestra sociedad. Para ello, es muy importante que seamos capaces de construir, entre todos, un nuevo referente de masculinidad, basado en valores como el respeto, la igualdad, la solidaridad y la no violencia. Un mensaje que diga y nos diga que otra forma de ser hombre, es posible.
Tras la positiva experiencia del año pasado, en que vivimos la primera manifestación de hombres contra la violencia machista, en 2007 han surgido diferentes convocatorias de hombres por la igualdad contra la violencia de género. Nos felicitamos y felicitamos a los compañeros que a lo largo de todo el Estado, se están implicando en esta actuación social tan necesaria.
Varias ciudades acogerán estos actos: Sevilla, Madrid, Santiago, León, Barcelona, Málaga, Córdoba, Granada… y más.
Consistirá en la composición de una rueda de hombres y\nla lectura de un manifiesto. El lema específico elegido es: "VIVAMOS SIN\nVIOLENCIA". La convocatoria se plantea con dos objetivos:
En Málaga, haremos una RUEDA DE HOMBRES CONTRA LA VIOLENCIA MACHISTA, el próximo sábado, día 20 de octubre a las 19:30 horas en la Plaza de la Constitución.
Consistirá en la composición de una rueda de hombres y la lectura de un manifiesto. El lema específico elegido es: "VIVAMOS SIN VIOLENCIA". La convocatoria se plantea con dos objetivos:
- Hacer visible a la sociedad y, especialmente, al colectivo masculino, la existencia de hombres que trabajan activamente por la igualdad y contra la violencia machista.
- Invitar a los hombres a que participen en la próxima manifestación contra la violencia de género del 25 de Noviembre.
Esperamos contribuir a un cambio social. Queremos un mundo en que los hombres contemplemos el problema de la violencia ejercida sobre las mujeres, como un asunto propio en el que hemos de implicarnos sin reservas.
Todos y todas hemos de posicionarnos claramente contra la violencia de género.
Todos y todas ganamos con la igualdad.
Nos vemos el sábado, día 20, a las 19:30 horas, en la Plaza de la Constitución (Málaga)
Onde é que isto vai parar?
São os tempos, os efeitos do Tratado de Bolonha a desafiar as instituições e os professores, mas acima de tudo, a criarem oportunidades novas aos alunos...propondo uma mudança de paradigma na relação entre os actores e os saberes, em que os estudantes passam a ser o centro do mundo mágico que é a aprendizagem...E eu sou reconhecidamente PRÓ...e por isso é um privilégio militar a favor do empreendedorismo com estes jovens universitários...
E comecei o seminário com um pedido à minha plateia...
É assim que introduzo o tema "Um olhar sobre a liderança..." foi assim que lhe chamei...Mas não faço isto apenas como um icebreaker, porque é giro e está tão na moda...mas porque é muito importante que as pessoas actuem em função daquilo que já sabem...é que isto está mesmo a mudar e não vai parar...
Por exemplo, hoje como o meu computador estava preguiçoso, comecei o dia a desfragmentar o disco...
E agora deixo aqui a pergunta "quem é que desfragmentou o disco do computador na última semana?"
terça-feira, 6 de novembro de 2007
MSN
Casada...mas pouco
No meio das garfadas e gargalhadas lá fomos acertando o passo à vida...tantas novidades e surpresas...ele com duas "ex's" e avultadas pensões de alimentos a pagar...eu mais comedida mas já com um trunfo...um neto mais velho que o seu filho mais novo...fomos saltando de estória em estória, quando de repente começou a trovejar...não conseguimos chegar a tempo aos nossos carros e ficámos literalmente encharcados...a ponto de, na sua versão, as mangas do blazer terem encurtado de tal forma que não pode mais vesti-lo...
Os colegas despediram-se e ainda ficámos no enredo das ex, dos filhos, dos desafios profissionais, e quando nos preparávamos pela milésima vez para sair, pedimos a conta e, começámos nos "pago-eu", "não-eu-é-que-pago", quando entrou o Dr. Silva, chamemos-lhe assim, que eu não conhecia pessoalmente, companheiro e suponho que também às vezes rival de lides partidarias, desportivas, autarquicas, sabe-se lá de que outras mais...do meu amigo...
Após as apresentações e as habituais deferências apercebi-me que estava a falar comigo na convicção de que eu era a 2ª ex do meu amigo...que por acaso, tem a mesma actividade profissional que eu...Fosse esse o motivo ou qualquer outro, a verdade é que o Miguel não desfez o equívoco e eu achei a situação divertida...de tal forma que, quando me foi acompanhar ao carro, desfizemo-nos em sonoras gargalhadas... E eu perguntava:
-Que mal fiz eu para merecer estar casada contigo? Como é que não desconfiou que estavamos bem dispostos demais para sermos casados?
Mas mentiras têm a perna curta... e há uns tempos atrás estava eu com um grupo de amigos quando avisto o Dr Silva e me apercebo de que está a aproximar-se...
-Olá Dra. que prazer...então e o marido, não veio?
-Não, Dr. tem trabalhado tanto que mal o vejo....
- Pois, sei bem o que é....
E dito isto, sinto o olhar da mesa em cima de mim...Apeteceu-me dizer-lhes...por favor, sejam discretos...
E foram, ninguém ousou perguntar a que marido se referia, afinal há anos sem conta que não me é atribuido nenhum, nem mesmo pelas piores línguas da cidade...Não houve comentários...só uns risinhos contidos...
De cada vez que saio, tremo...não venha o Dr. Silva querer noticias do meu marido...é que sinceramente não tenho!!!
Quanto ao Miguel, de vez enquando telefona e pergunta, com a sua pronuncia inconfundível do norte:
-Então como vai a minha legítima?
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Parabéns,David

Não mude de óculos...
É claro que eu gosto de ser apaparicada..., todas gostamos, atrevo-me a avançar .... todos gostamos, porque não me venham cá com as diferenças de género relativamente à nossa necessidade de afago...é bom, claro que é...prá menina e pró menino!!!
Mas também tenho consicência da realidade...
E a realidade, é que somos todos uns adultos fantástico-e-mais não-sei-quês mas acima de tudo muito humanos e terrivelmente mortais...basta uma insignificante bacéria sem nome e "ai jasusssssssss"
Acima de tudo, ele é um cavalheiro, e claro está, noblesse oblige...
Às vezes tento refutar, mas agora decidi não contrariar...mais, até lhe vou pedir para nunca mais voltar ao oftalmologista e sobretudo "não mude de óculos..."
Bem se ele um dia chegar a ler este texto, o que eu espero....quero agradecer e retribuir-lhe, sim porque ele para mim também é todo especial...
Podemos empatar? Então, aqui ficam beijinhos....Já agora pode deixar um comment....se assim enteder...Ah ah ah
Alex, new babby
Emocionalmente correcta
Pois é todos gostariamos de saber como...Mas existe e eu privo diariamente com uma pessoa com um coeficiente emocional elevado...digo-lhe isto e ela ri-se..."Oh, menina!...Hoje fiz-lhe esta surpresa, chamei-a e disse "Conceição, já estás na Internet"
E ela respondeu"Olhem bem onde é que eu já vou..." e selou o acontecimento com um abraço!!!
A minha amiga-borboleta
Nem tudo é fácil...nem tudo são boas memórias...e a vida também está carregada de momentos duros de ultrapassar...assim foi, com a doença da minha amiga Naty... Não é possível descrevê-la com palavras, nem esquecer a presença dela... e por isso a despedida também foi sui generis...A Naty desenvolveu uma cancro fatal, daqueles que se aproveitam das hormonas, na fase pos parto e que constituem uma bomba-relógio silenciosa...Quando ela o detectou era tarde demais e havia detonadores espalhados pelo corpo todo...
Conheci-a já doente e a minha aproximação foi sempre com o intuito de a ajudar, sabendo que tinha escassos amigos em Portugal...e que se sentia muito mal com os tratamentos da quimio que repetiu diversas vezes... Comentava-se que a Naty já tinha excedido em muitas vezes o terrível veredicto do Prof Oliveira e que era referida sempre como um exemplo, um milagre, um caso de "fé", sei lá mais quê...
Mas apesar de tudo a Naty transpirava alegria e não obstante não ter cabelo, estar enjoada e ter consciência da evolução da doença, espalhava sorrisos e contaminava todos com a sua generosidade mpar e a sua beleza invulgar ... a sua presença era muito intensa.
Tenho que confessar que às vezes me custava pensar nisto tudo, fazer uma amizade que me prometia um sofrimento a tão curto prazo e que me prepararava sempre emocionalmente para os nossos encontros no sentido de lhe dar esperança, energia, um conforto, a palavra certa e se tudo falhasse o meu ombro...mas tal nunca aconteceu...foi sempre ao contrário...
Quando ia visitar a Naty, ela tinha tudo preparado ao milimetro..."we are going to pamper ourselves"...sim que a vida é curta , tão curta, "temos que aproveitar Ana Cristina..."
Relação feliz

É sempre muito imprevisível mas sentimos que arranjamos novas formas de nos divertir...
Eu própria me admiro com as nossas figurinhas...e pensar que andamos por aí...felizmente suficintemente irreconhecíveis, mas nunca se sabe....
Quem nos conhece não pode assegurar qual de nós é o mais infantil, quem é quem nestes jogos de faz-de-conta, mas isso tem alguma importância?
Estas considerações todas porque num dia destes , em contexto profissional, fiquei chocada com o relato de uma jovem mãe, que estando a contrariar a filha de 6 anos, para que esta se fosse deitar, a miúda terá respondido:
Um segredo
2 - Estás com pressa? lê a 8
3 - És tão curioso, lê a 9
4 - Olha é o seguinte... é melhor leres a 15
5 - Eu não tenho coragem, por isso, lê a 17
6 - Gostaria de te falar, mas é melhor leres a 16
7 - Eu conto, mas... lê a 2
8 - É tão simples, por isso lê a 4
9 - Nao fiques nervoso, é uma questão de..., lê a 18
10 - Ainda não, mas... lê a 19
11 - Estás a ficar cansado, relaxa ... lê a 13
12 - Como eu estava a dizer... lê a 3
13 - Estás quase, quase a saber, lê a 20
14 - Gostava de jantar contigo, aceitas?
15 - Estás tão tenso, plizzzzzzz, lê a 6
16 - Tu ainda não entendeste não é? lê a 12
17 - Ah!! Estou com vergonha, lê a 7
18 - Eu nao sei se tu vais entender , lê a 10
19 - Lê a 11 com calma e saberás
20 - Agora eu conto, lê a 14, mas bem baixinho sim?!
citações
VanGogh
"Alguns casamentos acabam bem, outros duram toda a vida"
Woody Allen
"As emoções são contagiosas"
Daniel Goleman
"Sempre que o homem sonha, o mundo pula e avança"
António Gedeão
Mesquinho é quem não soube amar, nem jamais provo a embriaguês do amor
Birds of a feather, fly together
I'm astounded by people who want to 'know' the universe when it's hard enough to find your way around Chinatown. (Woody Allen)
Há três coisas que não envelhecem: a integridade, o senso de humor e a ternura.» Yves Montand
"We cannot become what we need to be by remaining what we are."
Se fizeres o que sempre fizeste terás o que sempre tiveste.
O dia pior gasto de todos é aquele em que nós não rimos.
S Chamfort
Só aqueles que arriscam ir demasiado longe ficarão a saber até onde podem ir.
T. S. Elliot
O mundo é redondo, por isso aquilo que às vezes nos pode parecer o fim, é afinal o princípio.
Sê a mudança que gostarias de criar.
(Ghandi)
Como melhoram as pessoas depois de começarmos a gostar delas!
(Grayon)
A alegria não está nas coisas, está em nós.
Goethe
Se queres ter uma qualidade comporta-te como se já a tivesses.
William James
A maior descoberta da minha geração é a de que os seres humanos podem alterar as suas vidas alterando as suas mentes .
William James
A qualidade das nossas vidas depende da qualidade dos nossos pensamentos.
Marcus Aurelius Antonius
O segredo não está em dar as respostas certas mas sim em fazer as perguntas certas.
Na minha maneira de ver, se quisermos o arco-íris, temos que aguentar a chuva.
Dolly Parton
A nossa maior glória não está em nunca cairmos, mas sim em nos levantarmos de cada vez que caímos.
Confúcio
Tudo aquilo que buscas encontras; aquilo em que te esforças, floresce…
Louise Hart
Sucesso é conseguir o que se quer; felicidade é gostar do que se consegue.
Lawrence J. Peter
A felicidade é uma escolha consciente, não uma resposta automática.
Milred Barthel
A confiança, como a arte, nunca advém de ter todas as respostas; vem de estar aberto a todas as perguntas.
Earl Gray Stevens
A vida não examinada não merece ser vivida.
William Shakespeare
Pensar apenas no melhor, trabalhar para o melhor e esperar
só o melhor.
Christian D. Larson
domingo, 4 de novembro de 2007
É mesmassim - o meu blogue e eu
Mas a minha estória com o Mário merece ser contada...emociona-me muito. Ele sabe simplesmente transformar os meus pesadelos em folhos ...desde um tempo em que eu ainda não tinha completa consciência de existir...e estará na minha vida até ao fim do meu percurso, à distancia, via skip, gmail, telepaticamente...o que for! Já o avisei!
Em Africa, mais precisamente em Moçambique, a minha mãe adoeceu gravemente. Foi hospitalizada e eu fui entregue aos cuidados da tia Belinha...mãe do Mario e de mais 3...e desde então também minha...É dificil falar disto sem me comover...Durante todo o tempo da convalescença da minha mãe, que corria risco de vida, eu fiquei em casa da famlia Pinhal, na Beira, integrada nas rotinas, nos carinhos e brincadeiras...como uma filha...A Bi era e a única menina até então e por isso sentia ciúme da intrusa e perguntava "Oh mãe, quando é que esta miuda vai para casa dela?"
E regressei a casa porque a minha mãe sobreviveu...eu acho que não tive consciência de nada disto...brincava com o Mário tranquilamente...e ele impedia-me de eu ir para a água...temos um filme desse tempo...eu obtinada a insistir, ele a travar-me o caminho, protegendo-me do perigo de me afogar...
Quando a minha mãe me foi buscar deve ter tido um choque terrivel porque eu me recusava a ir, e chorava que queria a mamã...que era simplesmente a minha tia Belinha...e claro o resto da cachopada, especialmente o Mário...Eu não tenho registo desse momento, mas o Mário tem, ele também funciona como uma memória colectiva, recorda-se ainda da cena em pormenor em que os meus pais me foram buscar!
Passamos anos sem nos ver...mas continuamos almas-gemeas. Não há nada a fazer. Somos irmãos ...
Desde então ele insiste em não deixar que eu me afogue, trata-me por "menina", "princesinha dos folhos" contagiando-me sempre com as melhores emoções, restituindo-me a serenidade nos momentos conturbados, apaziguando as minhas dores, cicatrizando as feridas profundas...com o seu o enorme bálsamo da amizade incondicional...e muito, muito mimo...
E foi assim, que o Mario me conduziu até ao meu blogue...E agora, como é? Quando é que me visitas, pá?
Poema II, Alberto Caeiro
sábado, 3 de novembro de 2007
Obrigada Paulinha!!!
O principezinho, por mim própria

O principezinho, Antoine de Saint Exupery

- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada. -
Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exactamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo... Se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me! ...
O principezinho, Antoine De Saint-Exupery
Foi então que apareceu uma raposa .
- Olá, bom dia! disse a raposa.
- Olá, bom dia! - Respondeu delicadamente o princepezinho...
-Anda brincar comigo - pediu o princepezinho. Estou tão triste...
- Não posso ir brincar contigo - disse a raposa. - Ainda ninguém me cativou... Andas á procura de galinhas? (diz a raposa)
Não... Ando á procura de amigos. O que é que "cativar" quer dizer?
... Quer dizer que se está ligado a alguém, que se criaram laços com alguém.
Laços?
Sim, laços - disse a raposa. - ...
Eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo e eu serei para ti, única no mundo... Tenho uma vida terrivelmente monótona... Mas se tu me cativares, a minha vida fica cheia se Sol. Estás a ver, ali adiante, aqueles campos de trigo? ... não me fazem lembrar de nada. É uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então quando eu estiver cativada por ti, vai ser maravilhoso! Como o trigo é dourado, há-de fazer-me lembrar de ti...
-Só conhecemos as coisas que cativamos - disse a raposa. - Os homens, agora já não tem tempo para conhecer nada. Compram as coisas feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não tem amigos. Se queres um amigo, cativa-me!
- E o que é preciso fazer? - Perguntou o princepezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada . A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas todos os dias te podes sentar mais perto... Se vieres sempre ás quatro horas, ás três já eu começo a ser feliz...
Foi assim que o princepesinho cativou a raposa. E quando chegou a hora da despedida:
- Ai! - exclamou a raposa - Ai que me vou pôr a chorar...
... Então não ganhaste nada com isso!
- Ai isso é que ganhei! - disse a raposa. - Por causa da cor do trigo...
Depois acrescentou:
- Anda vai ver outra vez as rosas. Vais perceber que a tua é única no mundo.
O princepesinho lá foi... - vocês não são nada disse-lhes ele. - Não há ninguém preso a vocês... - não se pode morrer por vocês...
... A minha rosa sozinha. vale mais do que vocês todas juntar, porque foi a ela que eu reguei, que eu abriguei... Porque foi a ela que eu ouvi queixar-se, gabar-se e até, ás vezes calar-se. Porque ela é a minha rosa.
E então voltou para ao pé da raposa e disse:
- Adeus...
- Adeus - disse a raposa. - vou-te contar o tal segredo. É muito simples: Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos... Foi o tempo que tu perdes-te com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante. Os homens já se esqueceram desta verdade - disse a raposa. Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti. Tu és responsável pela tua rosa...
Era uma vez

Sou muito orgulhosa da minha descendência que se vai desmultiplicando ...e é um privilégo ter uma nova oportunidade de voltar a ver o mundo com olhos de criança...
A coruja encontrou a águia, e disse-lhe:
– O águia, se vires uns passarinhos muito lindos num ninho, com uns biquinhos muito bem feitos, olha lá, não mos comas, que são os meus filhos.
A águia prometeu-lhe que os não comia. Foi voando pelo bosque até que encontrou numa árvore um ninho de coruja e comeu as corujinhas. Quando a coruja chegou e viu que lhe tinham comigo os filhos, foi ter com a águia, muito aflita:
– O águia, tu foste falsa, porque prometeste que não me comias os meus filhinhos e mataste-mos todos!
Diz a águia:
– Eu encontrei umas corujas pequenas num ninho, todas depenadas, sem bico, e com os olhos tapados, e comi-as; ora, como tu me disseste que os teus filhos eram muito lindos e tinham os biquinhos bem feitos entendi que não eram esses.
– Pois eram esses mesmos! - disse a coruja.
– Pois então queixa-te de ti, que me enganaste com a tua vaidade.
Sabores & amizades

Ecologia emocional
Mas o que eu quero hoje escrever é sobre uma experiencia minha...perante uma dor. Não uma dor dilacerante...não, nada disso...Uma dor daquelas tão pequeninas que até custa a arrancar do coração...e persistem que tempo como aquele insignificante pó de areia que se enfia pelo olho numa tarde de nortada, nas praias atlânticas...ou quaiquer outras...
Foi assim. precisei de ir buscar umas coisas à garagem do meu "EX". Ele é um querido e eu também sou toda "lindinha" porque temos feito por isso, até nos temos sabido mimar e zangar, afastar e aproximar, num bailado que tem sido regido pela emoção mas também pela razão...E sim, somos amigos, amigos como poucos, rarissimos...amigos mesmo...e sim, não fomos foleiros na hora de partir, de dividir...e na hora de mágoa conseguimos não nos magoar...certamente um exemplo que nos orgulhamos...temos resistidos ao tempo, às relações ulteriores que às vezes olham esta amizade como uma ameaça que de facto não é...
Mas a estória é outra...fui à garagem da casa que agora é dele para ir buscar uns objectos que eu necessitava e que ele continua a guardar, certamente com infinita paciência....Já estamos separados há tanto tempo....Reparei que as minhas coisas não estavam como eu as tinha deixado e que havia um monte de papeis marmoreados, atravez de uma técnica a óleo, que tinhamos produzido num curso de reciclagem de papel. Este curso deixou recordações muito positivas na vida de 2 pessoas completamente diferentes que tentam desenvolver gostos comuns, para partilharem experiências e criarem memórias para o futuro...pontes entre dois corações que procurar acertar o ritmo...Para além do mais, para mim os papeis eram mesmo bonitos....e não os tinha trazido quando fiz a mudança por respeito, eram "nossos" e por isso dificeis de dividir de forma apressada...
Mas ali estavam, não só cheios das belíssimas manchas de óleo aleatórias mas também com marcas indesejáveis de bolor, cheios de humidade, espalhados, colados uns aos outros....destruidos e aparentemente irrecuperáveis. Sou uma pessoa de baques e claro o meu coração apertou-se, encolheu...não sei se deixou de bater...dobrei-me para recolhê-los...juntei-os, endireitei-os...alinhei-os e trouxe-os todos....não sabia para quê....nem porquê...
Quando cheguei a casa (que no Verão é em Buarcos) comecei a rasgar, a recortar, aproveitando os minusculos pedacinhos intactos...e eliminando as partes estragadas...depois disso comecei a colá-los num tampo de um armário que eu estava para deitar fora na primeira oportunidade (o que signfica literalmente, da proxima vez que tivesse um amigo que me ajudasse a carregá-lo para fora e casa)....
O resultado está à vista...um tampo colorido, vibrante, quente....e sinto-me orgulhosa...porque pelo menos desta vez agi da forma correcta, aproveitando os fragmentos de luz de um passado que já foi bonito e todo ele luminoso...resgatando as emoções mais genuinas e resistindo a uma tristeza, certamente comprensível mas inútil....para quê insistir em viver com o pó de areia no olho?
É isto o que chamo ecologia emocional...Desculpem a falta de modéstia...mas toda eu fico feliz quando entro em casa e vejo aquele patchwork de restos de felicidade....Bem, o meu "EX" nem sabe desta estória, mas um dia vou contar-lhe...é a nossa amizade que está ali retratada, mais um vez...e há relações que merecem um esforço de serem reinventadas...reciclando as emoções...
Le Jardin, Jacques Prevert
Pour Toi Mon Amour, Jacques Prevert
Et j ai achete des oiseaux
Pour toi
mon amour
Je suis alle au marche aux fleurs
Et j ai achete des fleurs
Pour toi
mon amour
Je suis alle au marche a la ferraille
Et j ai achete des chaines
De lourdes chaines
Pour toi
mon amour
Et puis je suis alle au marche aux esclaves
Et je t ai cherchee
Mais je ne t ai pas trouvee
mon amour
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Bibliotecas, museus e zoológicos

Mas não posso defender a libertação dos livros das biliotecas porque senão teria uma amigo a zangar-se comigo..e é claro...os livros são preciosos mas os amigos ainda são mais e acredito que ainda existam espaços sagrados....
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
O ambiente de trabalho do meu computador é um jardim

Paris é sempre Paris

Vale sempre a pena percorrer a pé, com os sentidos todos alerta, despertos, ávidos...
Paris é sempre surpreedente, tanto na grandiosidade dos monumentos, boulevards e jardins como no aconchego quente das brasseries e bistrots...numa pausa para un café et un croissant...
E se é certo que todos os sítios devem ser bons para namorar, porque quer queiram quer não os mais azedos, os desistentes, os moralistas, os impedernidos, os invejosos da felicidade alheia... o amor faz bem, dá saúde e faz crescer...mesmo assim há sitios e sítios... há locais melhores que outros...
Dizia eu, que todo os espaços são bons para as coisas boas, e o amor é a melhor de todas, não conheço nenhum sítio melhor que esta cidade de pontes, de praças, de boulevards, de recantos, de palácios, de museus, de alfarrabistas, de mercados, de viagens de barco no Seine, de surpresas permanentes que enternecem e cortam a respirção...em que a curiosidade cresce à medida que vamos descobrindo sempre novas facetas ou revisitando os lugares onde queremos voltar sempre.
Ainda Vinicius de Moraes
Já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe
Que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham a você.
Assim como o Oceano, só é belo com o luar
Assim como a Canção, só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem, só acontece se chover
Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor, não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você!
Gostaria de ter sido eu a dizer mas foi Vinícius de Moraes
Vinícius de Moraes, Soneto de Fidelidade
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
(Até um dia meu anjo)
Vinícius de Moraes
Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não
A outra e o outro trabalho

Manda-me um five!
Depois passamos a ser profissionais...de inicio talvez timidamente, fazendo incursões num território estranho, muitas vezes exclusivamente masculino... e pouco a pouco, passo a passo, conquistando o trabalho, nem sempre uma carreira...seguras!
Hoje estamos aqui no espaço cibernautico com múltiplas personalidades virtuais...emails, Hi5, comunidades de prática, chats, clubes de amizade, blogs...sempre surfando a net, na crista da onda tecnológica...frenéticas!
Nem a wonder woman foi tão longe...E que é feito dela, da supermulher? Pesquisei a net e fiquei chocada...não lhe encontrei nenhum blog nem a encontrei nos perfis do hi5...não deve ter existência, por isso...Ou então deve estar envergonhada, em casa, gorda, a tratar do superhomem e dos supermeninos!!! Os seus poderes tornaram-se insignificantes...agora só mesmo a reconversão profissional num programa de novas oportunidades...Fiquei preocupada...por solidariedade feminina, que eu acho que ela não merece grande respeito...foi um péssimo role model! Agora amarga!
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
Joan Baez, Diamonds and Rust - Live, 1975
Baez e BobDylan uma relação de Diamantes e ferrugem...inesquécivel
Joan Baez, Diamonds and Rust - Live, 1975
Jacques Brel - Ne Me Quittes Pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit déjà
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
A savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
A coups de pourquoi
Le coeur du bonheur
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Moi je t'offrirai
Des perles de pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas
Je creuserai la terre
Jusqu'après ma mort
Pour couvrir ton corps
D'or et de lumière
Je ferai un domaine
Où l'amour sera roi
Où l'amour sera loi
Où tu seras reine
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Je t'inventerai
Des mots insensés
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants-là
Qui ont vue deux fois
Leurs coeurs s'embraser
Je te raconterai
L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
On a vu souvent
Rejaillir le feu
De l'ancien volcan
Qu'on croyait trop vieux
Il est paraît-il
Des terres brûlées
Donnant plus de blé
Qu'un meilleur avril
Et quand vient le soir
Pour qu'un ciel flamboie
Le rouge et le noir
Ne s'épousent-ils pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Je ne vais plus pleurer
Je ne vais plus parler
Je me cacherai là
A te regarder
Danser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
Apaga-me os olhos, Rainer Marie Rilke
Tranca-me os ouvidos, ainda posso ouvir-te,
e sem pés posso ainda ir para ti,
e sem boca posso ainda invocar-te.
Quebra-me os ossos, e posso apertar-te
com o coração como com a mão,
tapa-me o coração, e o cérebro baterá,
e se me deitares fogo ao cérebro,
hei-de continuar a trazer-te no sangue.
Rilke, in Livro das Horas
Tentativas artísticas
Foi uma esperiência de grupo fantástica...isso foi o melhor que conseguimos!!!
Recortámos pedaços e trouxemos...um bocado de cada um e nós...
Quem me traz o meu fantasma?

porque os fantasmas são discretos,
E desvanecem-se... contra a realidade, Oh que pena!!!
São cuidadosos, gostam de ter privacidade, XIUUUUU!!!!
As montanhas são azuis
Mas era previsível...Sem indicações precisas...e "quintas da cerca"...ele há muitas, está bom de ver!!!
Era uma vez uma arvore

Atenção que isto é uma formação séria...E é mesmo, sim senhor...porque nos inspira, envolve e transforma...Mudanças da metamorfose e de metáfora...Somos nós o produto desta formação, as ditas mudanças (da metamorfose e de metáfora) sentem-se na pele, na carne, no osso...Transformar sensações em conceitos e destes partir para imagens e acabarmos num caligrama!!! Somos nós o dito cujo caligrama.
Unidos numa viagem de percursos incertos e destinos desconhecidos...assim nos encontramos todos, entre risos, incertezas e expressões de admiração...surpreendendo e surpreendendo-nos, à medida que iamos perdendo o medo de olhar e ver, de ver e sentir, de sentir e pensar, de pensar e expressar, e sobretudo de arriscar muitos riscos, formas, manchas, texturas e gargalhadas... de reforçar laços invisiveis entre todos...
Construir e descontruir, fazer e desfazer, brincar com fragmentos e o efémero... Somos adultos, maravilhosos e tudo o mais e de repente, sentimo-nos intimidados por um papel branco, vazio mas depois a parada foi mais elevada...tinhamos que fazer uma instalação numa árvore....
domingo, 16 de setembro de 2007
Por falar em enjoar
Experiências da Formação Tecnologica e Artistica

Mais uma vez, dei-me conta de um aspecto muito interessante e frequente, na formação de adultos, um fenómeno colectivo de regressão que nos faz a todos, comportar como terriveis meninos traquinas...começa com uns sinais mal perceptiveis, aparentemente inofensivos, e vai-se alastrando num perigoso contágio e com agravamento da sintomatologia.
A nossa animadora esteve bem, não se deixou intimidar e geriu bem a nossa turbulência conduzindo-nos através de inúmeras desafios: realizamos muitas experiencias, mil aventuras...
Sentimo-nos todos tão infantis, era essa aliás a natureza da felicidade que comungávamos!!!














